terça-feira, 11 de junho de 2013
segunda-feira, 10 de junho de 2013
Poetas a Sul do Século XXI - Ano 13
No dia nove de fevereiro, pelas vinte e uma horas, na Junta de
Freguesia de Pechão, teve lugar uma tertúlia literária “poetas a sul do século
XXI – ano 13”, organizada pelo poeta, escritor e editor Fernando Esteves Pinto e por mim, com o apoio
da Editora Quatro Águas.
Estiveram presentes os poetas Miguel
Godinho, Vítor Cardeira, Fernando Esteves Pinto, Reinaldo Barros, Manuel
Madeira, Pedro Afonso, João Bentes e Tiago Nené.
Escrevi a propósito (e mantenho):
“O século XXI pode ser (e será) de rutura a muitos níveis.
Talvez os poetas sejam os herdeiros do futuro ainda a ser, porque semeiam num
campo muito para além do tempo físico. O Sul, estando abaixo, ou por baixo, é
uma raiz que, apesar de todas as vicissitudes, permanece. Poderá acordar e ser
(ou nunca ser). Talvez esse sul seja mais universal e vasto, logo, mais
profundo, que o frio norte, racionalista e consumista, pai e mãe de todas as
crises. Para lá do mar, do céu, do sonho, há todo um novo mundo a que só
vagamente aportamos pelo ideal. O resto, economias e finanças, são a ilusão e a
cegueira com que disfarçamos a nossa incompetência de viver a liberdade.”
Artes e Mercados
“Para os mercados é aceitável a inutilidade de toda a Arte
que não produz riqueza.
O colapso civilizacional justifica a eugenia de todos
os fardos sociais.
O estímulo à concorrência abole os direitos sociais, as leis
igualitárias, suprime os sindicatos e a liberdade, impondo regimes
escravocratas.
A eficácia gestionária dos rácios de produção erradica todos os
fatores humanos que bloqueiam os sistemas, como a compaixão, a piedade, a
solidariedade, o afeto, a emoção e o sentimento.
Em todos os continentes se
cantará, em breve, o mais extraordinário de todos os poemas, exaltando, à
saciedade, as soberbas virtudes da todo-poderosa cleptocracia.”
De facto a cleptocracia instala-se com o despudor das ditaduras.
Ilustração de um conto
![]() |
| Uma das personagens |
Colaborei com as ilustrações.
A obra vai ser editada pela "4aguas editora" na Colecção Onda Curta.
A composição gráfica já foi concluída.
A impressão está em marcha.
A obra está prestes a surgir.
A poesia de João Bentes está marcada por um forte sentido de rutura social e dói pela inconformação.
www.doismilecoiso.blogspot.comdomingo, 9 de junho de 2013
GOVERNADOS POR FEITICEIROS
RETRATO DO PAÍS
Elvas
Cerimónias oficiais da comemoração do Dia de Portugal, 10 de Junho.
O senhor Presidente da Câmara olha para o presente e diz, no seu discurso, que os portugueses sentem vergonha do estado a que chegou o seu País, que passam fome e que estão, já, a viver abaixo do limiar da pobreza.
O senhor Presidente da República olha para o passado e diz, no seu discurso, que Elvas é uma cidade muito bonita, com muita tradição, com muita história.
Há uma enorme distância entre Lisboa e Elvas: maior é a distância que separa o poder do povo.
Dois mundos, duas realidades.
Disse o senhor Primeiro Ministro que ir para o desemprego é uma oportunidade para mudar de vida.
Diz o senhor Ministro das Finanças que a culpa de tudo isto é da chuva.
Não tarda muito, estaremos a ser governados por feiticeiros.
Elvas
Cerimónias oficiais da comemoração do Dia de Portugal, 10 de Junho.
O senhor Presidente da Câmara olha para o presente e diz, no seu discurso, que os portugueses sentem vergonha do estado a que chegou o seu País, que passam fome e que estão, já, a viver abaixo do limiar da pobreza.
O senhor Presidente da República olha para o passado e diz, no seu discurso, que Elvas é uma cidade muito bonita, com muita tradição, com muita história.
Há uma enorme distância entre Lisboa e Elvas: maior é a distância que separa o poder do povo.
Dois mundos, duas realidades.
Disse o senhor Primeiro Ministro que ir para o desemprego é uma oportunidade para mudar de vida.
Diz o senhor Ministro das Finanças que a culpa de tudo isto é da chuva.
Não tarda muito, estaremos a ser governados por feiticeiros.
sexta-feira, 25 de dezembro de 2009
NOVIDADES
EXPOSIÇÃO DE PINTURA
Janeiro de 2010
Em janeiro de 2010, mais uma exposição de pintura.
Alguns dos trabalhos (de Dezembro de 2009) podem ser vistos no meu hi5, no álbum de fotografias.
O MEU PRIMEIRO CD JÁ ESTÁ DISPONÍVEL
Fiz uma edição caseira do meu primeiro Cd.
A maqueta "Por Onde Passares" (2009), está disponível.
Quem a quizer adquirir basta deixar um comentário/mensagem aqui ou no hi5 com os seguintes dados: artigo que pertende e o número de expemplares, o seu nome completo, morada completa e forma de pagamento.
Quem a quizer adquirir basta deixar um comentário/mensagem aqui ou no hi5 com os seguintes dados: artigo que pertende e o número de expemplares, o seu nome completo, morada completa e forma de pagamento.
Cada cd custa 5€ + portes de envio.
terça-feira, 4 de agosto de 2009
RELIGIOSA DEMOCRACIA
O ritual eleitoral vive do simbolismo democrático.
Há os sacerdotes da Democracia, como os há de outras respeitáveis religiões.
Aqui também há os grandes sacerdotes, os sapientissimos sumos democratas opinativos, fósseis primevos que recordam às criancinhas de hoje as obscuras idades do mundo primitivo. São como as térmitas discretas que se enquistaram no altar de todas as loas, comendo, minando, chupando o viço à madeira, até que derroque o estuque e se desfaça a folhinha dourada dos anjinhos imaculados.
Entretanto, quais intermediários entre Deus e os homens, prometem o paraíso a troco de mais penitência. E a multidão caminha vergada à chibata redentora do salvador da pátria num cativeiro ilimitado.
Como a santidade aparente de quem julga é vício manifesto em praça pública, de pouco serve a pregação moralizadora à multidão descrente.
Assim se perde a fé na Democracia, coisa de homens de pouca fé.
Como a santidade aparente de quem julga é vício manifesto em praça pública, de pouco serve a pregação moralizadora à multidão descrente.
Assim se perde a fé na Democracia, coisa de homens de pouca fé.
quinta-feira, 20 de novembro de 2008
PROFESSORES, EDUCAÇÃO, DEMOCRACIA E DESOBEDIÊNCIA CIVIL
Os professores sempre cumpriram as Leis do País. Mas quando uma alteração das Leis se revela manifestamente desadequada da realidade e é geradora de inúmeras injustiças, ferido gravemente a dignidade de uma profissão, espezinhando e brutalizando a própria condição humana, qual a posição a tomar?
Desde o princípio, os professores tentaram fazer apelo ao bom senso. Manifestaram a sua discordância e descontentamento, dentro da instituição, pela via hierárquica. Não foram ouvidos mas coagidos a cumprir a Lei.
Voltaram a discutir entre si a aplicabilidade da Lei e reforçaram novamente o seu desconforto por estarem a ser enquadrados numa Lei que não atende à especificidade das suas funções e cujos fins, referem, são meramente estatísticos e economicistas. Mandaram-nos “calar”, novamente, e voltar ao trabalho que “a Lei é para cumprir”.
Aumentou a sensação de opressão e tirania e os professores, reunidos em plenários, um pouco por todo o País, aprovaram moções de desagrado que fizeram seguir, pelas vias legais, sem sucesso. Voltaram a ser ameaçados com o cumprimento da Lei.
Ultrapassados os limites da tolerância, uma vez que qualquer diálogo é impossível e que apenas se vão ensaiando paliativos que não vão à raiz do problema, manifestaram-se publicamente de forma expressiva. Mas o muro de silêncio mantém-se, na arrogância que teima em não ouvir a voz da razão.
Não se reivindicam salários, privilégios, mordomias, ou a não avaliação, conforme querem os seus tutores fazer crer à opinião pública, porque, fanaticamente concentrados nos seus objectivos, ainda não quiseram entender o que está verdadeiramente mal. Os professores chamaram, simplesmente, a atenção do Pais para os efeitos nefastos de uma Lei desajustada, injusta, claustrofóbica que se arrisca a destruir as bases da própria democracia. É a Lei, imposta pelo Governo, com todas as suas consequências negativas, que está mal.
Porque não querem aceitar essa realidade, mantém-se a intransigente posição de força de um Governo e de um Ministério da Educação que se perderam nas malhas da própria Lei “justiceira” que elaboraram, num complique-se de modernices tecnológicas.
Se não é possível uma posição de consenso, em harmonia com toda uma classe profissional (porque são mais de cento e vinte mil os professores que se manifestam contra a arbitrariedade da Lei) qual o caminho a seguir?
Infelizmente, para todos nós, portugueses, deixamos de ter governo e passamos a ter regime. Se a governação não expressa a vontade do povo, se não tem a sabedoria de preservar e potenciar os seus valores mais elevados, qual a sua legitimidade? Se as Leis que produz se tornam motivo de opressão e subserviência, ameaçando amordaçar os próprios cidadãos, onde estão as liberdades e os direitos de cidadania?
A boa governação exige justiça e não prepotência. É evidente que não temos governo mas regime. Os governantes esqueceram-se, não sabem, ou não querem saber, que a autoridade decorre do reconhecimento das qualidades de carácter e de rectidão ética colocadas em todas as dimensões da gestão da coisa pública e não do autoritarismo imposto por via da força e da coacção, ainda que escudado na discutível autoridade da Lei. Uma coisa é a integridade, outra é a inflexibilidade doentia, apanágio das ditaduras.
Se não é possível ouvir a razão de, pelo menos, cento e vinte mil pessoas, que devem condicionar-se a uma Lei que, não aceitam como justa mas arbitrária, que posição devem elas tomar?
Esgotam-se o tempo e as oportunidades. Chegará o dia em que todo o diálogo, por mais bem intencionado que seja, será impossível. Um facto ressurge a cada dia: já não são apenas os professores que deixaram de acreditar na justiça desta governação. Não acertar o passo com a realidade, só torna a posição do governo cada vez mais insustentável, pelo descrédito crescente a que é sujeito, ao ser julgado no tribunal da opinião pública.
Falamos do mesmo País: mas uns falam do País real em que vivem e outros de um País de ficção onde tudo são rosas e maravilhas e em que só eles, pelos vistos, acreditam.
Talvez esteja na hora de nos levantarmos, não para novas revoluções que se esgotam nos jogos partidários, cada vez mais obtusos, oportunistas e interesseiros, mas para uma verdadeira e necessária evolução da nossa democracia que merece ser elevada a outro patamar de consciência.
Diante da injustiça da Lei, em consciência com os valores da democracia e da cidadania participativa que nos é negada, a solução derradeira talvez seja a “desobediência civil”, até que a Lei, que nos deve reger, se torne um padrão de justiça e de verdade, adequada ao fim a que se destina: edificar uma escola pública de reconhecida qualidade, humanizada, livre, aberta, universal, onde se formem os protagonistas da nova sociedade.
Desde o princípio, os professores tentaram fazer apelo ao bom senso. Manifestaram a sua discordância e descontentamento, dentro da instituição, pela via hierárquica. Não foram ouvidos mas coagidos a cumprir a Lei.
Voltaram a discutir entre si a aplicabilidade da Lei e reforçaram novamente o seu desconforto por estarem a ser enquadrados numa Lei que não atende à especificidade das suas funções e cujos fins, referem, são meramente estatísticos e economicistas. Mandaram-nos “calar”, novamente, e voltar ao trabalho que “a Lei é para cumprir”.
Aumentou a sensação de opressão e tirania e os professores, reunidos em plenários, um pouco por todo o País, aprovaram moções de desagrado que fizeram seguir, pelas vias legais, sem sucesso. Voltaram a ser ameaçados com o cumprimento da Lei.
Ultrapassados os limites da tolerância, uma vez que qualquer diálogo é impossível e que apenas se vão ensaiando paliativos que não vão à raiz do problema, manifestaram-se publicamente de forma expressiva. Mas o muro de silêncio mantém-se, na arrogância que teima em não ouvir a voz da razão.
Não se reivindicam salários, privilégios, mordomias, ou a não avaliação, conforme querem os seus tutores fazer crer à opinião pública, porque, fanaticamente concentrados nos seus objectivos, ainda não quiseram entender o que está verdadeiramente mal. Os professores chamaram, simplesmente, a atenção do Pais para os efeitos nefastos de uma Lei desajustada, injusta, claustrofóbica que se arrisca a destruir as bases da própria democracia. É a Lei, imposta pelo Governo, com todas as suas consequências negativas, que está mal.
Porque não querem aceitar essa realidade, mantém-se a intransigente posição de força de um Governo e de um Ministério da Educação que se perderam nas malhas da própria Lei “justiceira” que elaboraram, num complique-se de modernices tecnológicas.
Se não é possível uma posição de consenso, em harmonia com toda uma classe profissional (porque são mais de cento e vinte mil os professores que se manifestam contra a arbitrariedade da Lei) qual o caminho a seguir?
Infelizmente, para todos nós, portugueses, deixamos de ter governo e passamos a ter regime. Se a governação não expressa a vontade do povo, se não tem a sabedoria de preservar e potenciar os seus valores mais elevados, qual a sua legitimidade? Se as Leis que produz se tornam motivo de opressão e subserviência, ameaçando amordaçar os próprios cidadãos, onde estão as liberdades e os direitos de cidadania?
A boa governação exige justiça e não prepotência. É evidente que não temos governo mas regime. Os governantes esqueceram-se, não sabem, ou não querem saber, que a autoridade decorre do reconhecimento das qualidades de carácter e de rectidão ética colocadas em todas as dimensões da gestão da coisa pública e não do autoritarismo imposto por via da força e da coacção, ainda que escudado na discutível autoridade da Lei. Uma coisa é a integridade, outra é a inflexibilidade doentia, apanágio das ditaduras.
Se não é possível ouvir a razão de, pelo menos, cento e vinte mil pessoas, que devem condicionar-se a uma Lei que, não aceitam como justa mas arbitrária, que posição devem elas tomar?
Esgotam-se o tempo e as oportunidades. Chegará o dia em que todo o diálogo, por mais bem intencionado que seja, será impossível. Um facto ressurge a cada dia: já não são apenas os professores que deixaram de acreditar na justiça desta governação. Não acertar o passo com a realidade, só torna a posição do governo cada vez mais insustentável, pelo descrédito crescente a que é sujeito, ao ser julgado no tribunal da opinião pública.
Falamos do mesmo País: mas uns falam do País real em que vivem e outros de um País de ficção onde tudo são rosas e maravilhas e em que só eles, pelos vistos, acreditam.
Talvez esteja na hora de nos levantarmos, não para novas revoluções que se esgotam nos jogos partidários, cada vez mais obtusos, oportunistas e interesseiros, mas para uma verdadeira e necessária evolução da nossa democracia que merece ser elevada a outro patamar de consciência.
Diante da injustiça da Lei, em consciência com os valores da democracia e da cidadania participativa que nos é negada, a solução derradeira talvez seja a “desobediência civil”, até que a Lei, que nos deve reger, se torne um padrão de justiça e de verdade, adequada ao fim a que se destina: edificar uma escola pública de reconhecida qualidade, humanizada, livre, aberta, universal, onde se formem os protagonistas da nova sociedade.
quarta-feira, 19 de novembro de 2008
E A DEMOCRACIA?
Há muitos anos, nunca me passaria pela cabeça que estaria a escrever estas linhas. Sinto muita dificuldade em aceitar este estado de coisas a que ainda chamamos teimosamente “democracia”. Acreditava ingenuamente que a ditadura nos tivesse trazido importantes lições para o futuro exercício da liberdade. Respeito, tolerância, diálogo, justiça, paz social, eram alguns dos conceitos que a democracia implicava. Em vez disso, vive-se, hoje, num ambiente degradado, tóxico e corrosivo de arbitrariedades e violências de toda a sorte. Alguns chamam a isso as “reformas necessárias”, mas é difícil estender o que sejam essas “reformas” que ao retirarem-nos o pouco que tínhamos nos espoliam de toda a esperança no futuro. Chocante é, sobretudo, a destruição de todas as marcas de solidariedade e justiça social.
Se chamamos “democracia” a um sistema de saúde que trata as pessoas como objectos, que distribui reformas de miséria, que impede o acesso das pessoas à justiça, que nos oprime a todos com cargas fiscais insuportáveis, que nos retira, a cada dia, não só a dignidade de um salário justo como os mais básicos direitos de cidadania, como posso chamar a isso, em consciência, democracia?
Sei que os nossos governantes não sabem como resolver a crise. Compreendo que seja difícil encontrar soluções. O que não posso aceitar é a mentira, cada vez mais descarada, com que nos vão iludindo, todos os dias, para manterem a nossa confiança e destruírem a nossa integridade.
Se a sociedade a que pertencemos nos é indiferente; se consideramos que é inútil todo o esforço, todo o sacrifício, todo o trabalho por uma causa comum (porque todas as causas nobres, todos os projectos de solidariedade humana estão perdidos); não é possível que estejamos a viver em democracia.
Este estado de coisas, e de alma, é um grande equívoco que ninguém deseja porque nos incomoda no mais profundo das nossas consciências. É tremenda, esmagadora a nossa impotência diante desse abismo que nos engole. Creio que choramos lágrimas de sangue sempre que proferimos a palavra “democracia”.
Não sei se o pesadelo passará tão cedo. Sei apenas que não posso mentir aos meus filhos sobre a realidade de opressão em que vivemos. Tenho ainda o sonho, ou a esperança, de que, ao lembrar-lhes a história dos mártires e heróis do progresso humano, de todos os que derem a vida por um futuro de verdade, justiça e paz, talvez permaneça viva uma pequena réstia de luz iluminando os nossos passos.
Se chamamos “democracia” a um sistema de saúde que trata as pessoas como objectos, que distribui reformas de miséria, que impede o acesso das pessoas à justiça, que nos oprime a todos com cargas fiscais insuportáveis, que nos retira, a cada dia, não só a dignidade de um salário justo como os mais básicos direitos de cidadania, como posso chamar a isso, em consciência, democracia?
Sei que os nossos governantes não sabem como resolver a crise. Compreendo que seja difícil encontrar soluções. O que não posso aceitar é a mentira, cada vez mais descarada, com que nos vão iludindo, todos os dias, para manterem a nossa confiança e destruírem a nossa integridade.
Se a sociedade a que pertencemos nos é indiferente; se consideramos que é inútil todo o esforço, todo o sacrifício, todo o trabalho por uma causa comum (porque todas as causas nobres, todos os projectos de solidariedade humana estão perdidos); não é possível que estejamos a viver em democracia.
Este estado de coisas, e de alma, é um grande equívoco que ninguém deseja porque nos incomoda no mais profundo das nossas consciências. É tremenda, esmagadora a nossa impotência diante desse abismo que nos engole. Creio que choramos lágrimas de sangue sempre que proferimos a palavra “democracia”.
Não sei se o pesadelo passará tão cedo. Sei apenas que não posso mentir aos meus filhos sobre a realidade de opressão em que vivemos. Tenho ainda o sonho, ou a esperança, de que, ao lembrar-lhes a história dos mártires e heróis do progresso humano, de todos os que derem a vida por um futuro de verdade, justiça e paz, talvez permaneça viva uma pequena réstia de luz iluminando os nossos passos.
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