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sábado, 13 de dezembro de 2014
segunda-feira, 24 de março de 2014
terça-feira, 18 de março de 2014
segunda-feira, 10 de março de 2014
quarta-feira, 16 de outubro de 2013
terça-feira, 15 de outubro de 2013
domingo, 16 de junho de 2013
O mal não é da escola, é do estado
Nas escolas portuguesas há
crianças a passar fome porque os salários dos seus pais são de morrer à fome;
algumas já não tomam banho em casa porque lhes cortaram a água;
outras não fazem pesquisas porque tiveram de vender os computadores e desligar o telefone;
outras não têm livros nem materiais didáticos porque não há subsídios de férias e natal
e os impostos são formas legais de roubo que comem o mais que podem dos rendimentos familiares.
Nas escolas portuguesas,
tal como na sociedade portuguesa,
há crianças e estudantes que perderam todos os direitos conferidos a uma criança.
E essas crianças e estudantes são cada vez mais a maioria,
fabricada pela falência generalizada de toda a economia.
Sobre elas não se escuta uma palavra de simpatia do governo,
do ministério da educação, dos comentadores políticos.
E porquê?
Porque a causa do mal não é a escola, é o estado.
Nas escolas portuguesas há
funcionários que já não ganham decentemente para pagar as despesas mensais.
Há gente desesperada, suicida, a enlouquecer de medo, raiva, ódio, sem futuro.
Se estão doentes, não têm dinheiro para ir ao médico.
Adoecem e morrem na antecâmara da morte que é a escravidão do seu trabalho,
sem reconhecimento, sem compreensão, sem estímulo.
Tratados como alimárias excedentárias que podem ser exploradas à revelia de todos os direitos.
São simples números que constam numa folha de Excel.
Todos os dias, invariavelmente, essa gente que desembrulha sandes à hora do almoço,
que destapa caixas de plástico com sopa,
já paga para trabalhar.
E sofre todos os dias a brutalidade de quem os espezinha.
E carrega, invisível, ao pescoço, uma corrente de escravatura que apaga todos os seus direitos.
Sobre eles não se escuta uma palavra de simpatia do governo,
do ministério da educação, dos comentadores políticos.
E porquê?
Porque sabem de o mal não é da escola, é do estado.
A escola portuguesa tem
filhos de pais de todas as condições sociais e estratos económicos.
Mas também
filhos de pais imigrantes que se esforçam por ter vidas dignas,
filhos de gente humilde e laboriosa que tem honra,
e filhos de pais desempregados em desespero,
filhos de famílias desestruturadas que perderam tudo e vivem da caridade,
filhos daqueles a quem o futuro foi definitivamente negado
por políticas suicidas de empobrecimento generalizado.
Sobre essas famílias cujos filhos estudam na escola pública,
casos que todos os dias entram pelas portas das salas de aulas com os seus fantasmas,
nem uma palavra de simpatia se escuta do governo,
do ministério da educação, dos comentadores políticos.
E porquê?
Porque sabem que o mal não é da escola, é do estado.
Nas escolas portuguesas há
professores à beira da insolvência,
que já não compram livros, não leem, não estudam, não se informam
porque não já ganham para ter acesso à cultura e ter conhecimento.
Esses professores estudaram, tiraram cursos superiores, licenciaram-se.
Entre eles há gente com mestrados, doutoramentos, pós-graduações.
Gente com trabalhos relevantes que contribuiu para o progresso do país.
Gente que dinamizou as áreas da cultura, das ideias, das artes, do associativismo, do desporto;
Gente que foi exemplo para muita gente
e que ajudou a construir comunidades mais humanizadas e progressistas.
Essa gente é enxovalhada, menorizada, desprezada, desqualificada e, sobretudo,
tratada como mentecapta e incapaz
por uma elite inculta e presunçosa, cúmplice de gente gananciosa e pérfida,
fechada numa redoma de intolerância e protegida por batalhões de guarda-costas.
São os mais qualificados do país e tratam-nos como lixo,
com o mesmo respeito com que tratam a cultura, a história, a arte, a filosofia, o pensamento
e todos aqueles que, por mérito próprio, sem compadrios, se destaquem da sua pomposa mediocridade.
Porque a escola, dizem esses génios do neoliberalismo predador,
deverá ter como função prioritária, apenas, produzir mão-de-obra qualificada para as suas empresas.
Mão-de-obra barata, escrava e subserviente que não saiba pensar e tudo aceite sem reclamar.
É sobretudo porque nas escolas ainda há massa crítica, pensamento independente,
prática democrática e sentido de liberdade que se deve destruir a escola pública.
Quem assim pensa estupidamente cai num erro de consequências devastadoras:
a destruição da escola é o princípio irreversível da implosão cultural de um país.
É assim que pensam
porque sabem que o mal não é da escola, é do estado.
crianças a passar fome porque os salários dos seus pais são de morrer à fome;
algumas já não tomam banho em casa porque lhes cortaram a água;
outras não fazem pesquisas porque tiveram de vender os computadores e desligar o telefone;
outras não têm livros nem materiais didáticos porque não há subsídios de férias e natal
e os impostos são formas legais de roubo que comem o mais que podem dos rendimentos familiares.
Nas escolas portuguesas,
tal como na sociedade portuguesa,
há crianças e estudantes que perderam todos os direitos conferidos a uma criança.
E essas crianças e estudantes são cada vez mais a maioria,
fabricada pela falência generalizada de toda a economia.
Sobre elas não se escuta uma palavra de simpatia do governo,
do ministério da educação, dos comentadores políticos.
E porquê?
Porque a causa do mal não é a escola, é o estado.
Nas escolas portuguesas há
funcionários que já não ganham decentemente para pagar as despesas mensais.
Há gente desesperada, suicida, a enlouquecer de medo, raiva, ódio, sem futuro.
Se estão doentes, não têm dinheiro para ir ao médico.
Adoecem e morrem na antecâmara da morte que é a escravidão do seu trabalho,
sem reconhecimento, sem compreensão, sem estímulo.
Tratados como alimárias excedentárias que podem ser exploradas à revelia de todos os direitos.
São simples números que constam numa folha de Excel.
Todos os dias, invariavelmente, essa gente que desembrulha sandes à hora do almoço,
que destapa caixas de plástico com sopa,
já paga para trabalhar.
E sofre todos os dias a brutalidade de quem os espezinha.
E carrega, invisível, ao pescoço, uma corrente de escravatura que apaga todos os seus direitos.
Sobre eles não se escuta uma palavra de simpatia do governo,
do ministério da educação, dos comentadores políticos.
E porquê?
Porque sabem de o mal não é da escola, é do estado.
A escola portuguesa tem
filhos de pais de todas as condições sociais e estratos económicos.
Mas também
filhos de pais imigrantes que se esforçam por ter vidas dignas,
filhos de gente humilde e laboriosa que tem honra,
e filhos de pais desempregados em desespero,
filhos de famílias desestruturadas que perderam tudo e vivem da caridade,
filhos daqueles a quem o futuro foi definitivamente negado
por políticas suicidas de empobrecimento generalizado.
Sobre essas famílias cujos filhos estudam na escola pública,
casos que todos os dias entram pelas portas das salas de aulas com os seus fantasmas,
nem uma palavra de simpatia se escuta do governo,
do ministério da educação, dos comentadores políticos.
E porquê?
Porque sabem que o mal não é da escola, é do estado.
Nas escolas portuguesas há
professores à beira da insolvência,
que já não compram livros, não leem, não estudam, não se informam
porque não já ganham para ter acesso à cultura e ter conhecimento.
Esses professores estudaram, tiraram cursos superiores, licenciaram-se.
Entre eles há gente com mestrados, doutoramentos, pós-graduações.
Gente com trabalhos relevantes que contribuiu para o progresso do país.
Gente que dinamizou as áreas da cultura, das ideias, das artes, do associativismo, do desporto;
Gente que foi exemplo para muita gente
e que ajudou a construir comunidades mais humanizadas e progressistas.
Essa gente é enxovalhada, menorizada, desprezada, desqualificada e, sobretudo,
tratada como mentecapta e incapaz
por uma elite inculta e presunçosa, cúmplice de gente gananciosa e pérfida,
fechada numa redoma de intolerância e protegida por batalhões de guarda-costas.
São os mais qualificados do país e tratam-nos como lixo,
com o mesmo respeito com que tratam a cultura, a história, a arte, a filosofia, o pensamento
e todos aqueles que, por mérito próprio, sem compadrios, se destaquem da sua pomposa mediocridade.
Porque a escola, dizem esses génios do neoliberalismo predador,
deverá ter como função prioritária, apenas, produzir mão-de-obra qualificada para as suas empresas.
Mão-de-obra barata, escrava e subserviente que não saiba pensar e tudo aceite sem reclamar.
É sobretudo porque nas escolas ainda há massa crítica, pensamento independente,
prática democrática e sentido de liberdade que se deve destruir a escola pública.
Quem assim pensa estupidamente cai num erro de consequências devastadoras:
a destruição da escola é o princípio irreversível da implosão cultural de um país.
É assim que pensam
porque sabem que o mal não é da escola, é do estado.
terça-feira, 4 de agosto de 2009
RELIGIOSA DEMOCRACIA
O ritual eleitoral vive do simbolismo democrático.
Há os sacerdotes da Democracia, como os há de outras respeitáveis religiões.
Aqui também há os grandes sacerdotes, os sapientissimos sumos democratas opinativos, fósseis primevos que recordam às criancinhas de hoje as obscuras idades do mundo primitivo. São como as térmitas discretas que se enquistaram no altar de todas as loas, comendo, minando, chupando o viço à madeira, até que derroque o estuque e se desfaça a folhinha dourada dos anjinhos imaculados.
Entretanto, quais intermediários entre Deus e os homens, prometem o paraíso a troco de mais penitência. E a multidão caminha vergada à chibata redentora do salvador da pátria num cativeiro ilimitado.
Como a santidade aparente de quem julga é vício manifesto em praça pública, de pouco serve a pregação moralizadora à multidão descrente.
Assim se perde a fé na Democracia, coisa de homens de pouca fé.
Como a santidade aparente de quem julga é vício manifesto em praça pública, de pouco serve a pregação moralizadora à multidão descrente.
Assim se perde a fé na Democracia, coisa de homens de pouca fé.
quinta-feira, 20 de novembro de 2008
PROFESSORES, EDUCAÇÃO, DEMOCRACIA E DESOBEDIÊNCIA CIVIL
Os professores sempre cumpriram as Leis do País. Mas quando uma alteração das Leis se revela manifestamente desadequada da realidade e é geradora de inúmeras injustiças, ferido gravemente a dignidade de uma profissão, espezinhando e brutalizando a própria condição humana, qual a posição a tomar?
Desde o princípio, os professores tentaram fazer apelo ao bom senso. Manifestaram a sua discordância e descontentamento, dentro da instituição, pela via hierárquica. Não foram ouvidos mas coagidos a cumprir a Lei.
Voltaram a discutir entre si a aplicabilidade da Lei e reforçaram novamente o seu desconforto por estarem a ser enquadrados numa Lei que não atende à especificidade das suas funções e cujos fins, referem, são meramente estatísticos e economicistas. Mandaram-nos “calar”, novamente, e voltar ao trabalho que “a Lei é para cumprir”.
Aumentou a sensação de opressão e tirania e os professores, reunidos em plenários, um pouco por todo o País, aprovaram moções de desagrado que fizeram seguir, pelas vias legais, sem sucesso. Voltaram a ser ameaçados com o cumprimento da Lei.
Ultrapassados os limites da tolerância, uma vez que qualquer diálogo é impossível e que apenas se vão ensaiando paliativos que não vão à raiz do problema, manifestaram-se publicamente de forma expressiva. Mas o muro de silêncio mantém-se, na arrogância que teima em não ouvir a voz da razão.
Não se reivindicam salários, privilégios, mordomias, ou a não avaliação, conforme querem os seus tutores fazer crer à opinião pública, porque, fanaticamente concentrados nos seus objectivos, ainda não quiseram entender o que está verdadeiramente mal. Os professores chamaram, simplesmente, a atenção do Pais para os efeitos nefastos de uma Lei desajustada, injusta, claustrofóbica que se arrisca a destruir as bases da própria democracia. É a Lei, imposta pelo Governo, com todas as suas consequências negativas, que está mal.
Porque não querem aceitar essa realidade, mantém-se a intransigente posição de força de um Governo e de um Ministério da Educação que se perderam nas malhas da própria Lei “justiceira” que elaboraram, num complique-se de modernices tecnológicas.
Se não é possível uma posição de consenso, em harmonia com toda uma classe profissional (porque são mais de cento e vinte mil os professores que se manifestam contra a arbitrariedade da Lei) qual o caminho a seguir?
Infelizmente, para todos nós, portugueses, deixamos de ter governo e passamos a ter regime. Se a governação não expressa a vontade do povo, se não tem a sabedoria de preservar e potenciar os seus valores mais elevados, qual a sua legitimidade? Se as Leis que produz se tornam motivo de opressão e subserviência, ameaçando amordaçar os próprios cidadãos, onde estão as liberdades e os direitos de cidadania?
A boa governação exige justiça e não prepotência. É evidente que não temos governo mas regime. Os governantes esqueceram-se, não sabem, ou não querem saber, que a autoridade decorre do reconhecimento das qualidades de carácter e de rectidão ética colocadas em todas as dimensões da gestão da coisa pública e não do autoritarismo imposto por via da força e da coacção, ainda que escudado na discutível autoridade da Lei. Uma coisa é a integridade, outra é a inflexibilidade doentia, apanágio das ditaduras.
Se não é possível ouvir a razão de, pelo menos, cento e vinte mil pessoas, que devem condicionar-se a uma Lei que, não aceitam como justa mas arbitrária, que posição devem elas tomar?
Esgotam-se o tempo e as oportunidades. Chegará o dia em que todo o diálogo, por mais bem intencionado que seja, será impossível. Um facto ressurge a cada dia: já não são apenas os professores que deixaram de acreditar na justiça desta governação. Não acertar o passo com a realidade, só torna a posição do governo cada vez mais insustentável, pelo descrédito crescente a que é sujeito, ao ser julgado no tribunal da opinião pública.
Falamos do mesmo País: mas uns falam do País real em que vivem e outros de um País de ficção onde tudo são rosas e maravilhas e em que só eles, pelos vistos, acreditam.
Talvez esteja na hora de nos levantarmos, não para novas revoluções que se esgotam nos jogos partidários, cada vez mais obtusos, oportunistas e interesseiros, mas para uma verdadeira e necessária evolução da nossa democracia que merece ser elevada a outro patamar de consciência.
Diante da injustiça da Lei, em consciência com os valores da democracia e da cidadania participativa que nos é negada, a solução derradeira talvez seja a “desobediência civil”, até que a Lei, que nos deve reger, se torne um padrão de justiça e de verdade, adequada ao fim a que se destina: edificar uma escola pública de reconhecida qualidade, humanizada, livre, aberta, universal, onde se formem os protagonistas da nova sociedade.
Desde o princípio, os professores tentaram fazer apelo ao bom senso. Manifestaram a sua discordância e descontentamento, dentro da instituição, pela via hierárquica. Não foram ouvidos mas coagidos a cumprir a Lei.
Voltaram a discutir entre si a aplicabilidade da Lei e reforçaram novamente o seu desconforto por estarem a ser enquadrados numa Lei que não atende à especificidade das suas funções e cujos fins, referem, são meramente estatísticos e economicistas. Mandaram-nos “calar”, novamente, e voltar ao trabalho que “a Lei é para cumprir”.
Aumentou a sensação de opressão e tirania e os professores, reunidos em plenários, um pouco por todo o País, aprovaram moções de desagrado que fizeram seguir, pelas vias legais, sem sucesso. Voltaram a ser ameaçados com o cumprimento da Lei.
Ultrapassados os limites da tolerância, uma vez que qualquer diálogo é impossível e que apenas se vão ensaiando paliativos que não vão à raiz do problema, manifestaram-se publicamente de forma expressiva. Mas o muro de silêncio mantém-se, na arrogância que teima em não ouvir a voz da razão.
Não se reivindicam salários, privilégios, mordomias, ou a não avaliação, conforme querem os seus tutores fazer crer à opinião pública, porque, fanaticamente concentrados nos seus objectivos, ainda não quiseram entender o que está verdadeiramente mal. Os professores chamaram, simplesmente, a atenção do Pais para os efeitos nefastos de uma Lei desajustada, injusta, claustrofóbica que se arrisca a destruir as bases da própria democracia. É a Lei, imposta pelo Governo, com todas as suas consequências negativas, que está mal.
Porque não querem aceitar essa realidade, mantém-se a intransigente posição de força de um Governo e de um Ministério da Educação que se perderam nas malhas da própria Lei “justiceira” que elaboraram, num complique-se de modernices tecnológicas.
Se não é possível uma posição de consenso, em harmonia com toda uma classe profissional (porque são mais de cento e vinte mil os professores que se manifestam contra a arbitrariedade da Lei) qual o caminho a seguir?
Infelizmente, para todos nós, portugueses, deixamos de ter governo e passamos a ter regime. Se a governação não expressa a vontade do povo, se não tem a sabedoria de preservar e potenciar os seus valores mais elevados, qual a sua legitimidade? Se as Leis que produz se tornam motivo de opressão e subserviência, ameaçando amordaçar os próprios cidadãos, onde estão as liberdades e os direitos de cidadania?
A boa governação exige justiça e não prepotência. É evidente que não temos governo mas regime. Os governantes esqueceram-se, não sabem, ou não querem saber, que a autoridade decorre do reconhecimento das qualidades de carácter e de rectidão ética colocadas em todas as dimensões da gestão da coisa pública e não do autoritarismo imposto por via da força e da coacção, ainda que escudado na discutível autoridade da Lei. Uma coisa é a integridade, outra é a inflexibilidade doentia, apanágio das ditaduras.
Se não é possível ouvir a razão de, pelo menos, cento e vinte mil pessoas, que devem condicionar-se a uma Lei que, não aceitam como justa mas arbitrária, que posição devem elas tomar?
Esgotam-se o tempo e as oportunidades. Chegará o dia em que todo o diálogo, por mais bem intencionado que seja, será impossível. Um facto ressurge a cada dia: já não são apenas os professores que deixaram de acreditar na justiça desta governação. Não acertar o passo com a realidade, só torna a posição do governo cada vez mais insustentável, pelo descrédito crescente a que é sujeito, ao ser julgado no tribunal da opinião pública.
Falamos do mesmo País: mas uns falam do País real em que vivem e outros de um País de ficção onde tudo são rosas e maravilhas e em que só eles, pelos vistos, acreditam.
Talvez esteja na hora de nos levantarmos, não para novas revoluções que se esgotam nos jogos partidários, cada vez mais obtusos, oportunistas e interesseiros, mas para uma verdadeira e necessária evolução da nossa democracia que merece ser elevada a outro patamar de consciência.
Diante da injustiça da Lei, em consciência com os valores da democracia e da cidadania participativa que nos é negada, a solução derradeira talvez seja a “desobediência civil”, até que a Lei, que nos deve reger, se torne um padrão de justiça e de verdade, adequada ao fim a que se destina: edificar uma escola pública de reconhecida qualidade, humanizada, livre, aberta, universal, onde se formem os protagonistas da nova sociedade.
quarta-feira, 19 de novembro de 2008
E A DEMOCRACIA?
Há muitos anos, nunca me passaria pela cabeça que estaria a escrever estas linhas. Sinto muita dificuldade em aceitar este estado de coisas a que ainda chamamos teimosamente “democracia”. Acreditava ingenuamente que a ditadura nos tivesse trazido importantes lições para o futuro exercício da liberdade. Respeito, tolerância, diálogo, justiça, paz social, eram alguns dos conceitos que a democracia implicava. Em vez disso, vive-se, hoje, num ambiente degradado, tóxico e corrosivo de arbitrariedades e violências de toda a sorte. Alguns chamam a isso as “reformas necessárias”, mas é difícil estender o que sejam essas “reformas” que ao retirarem-nos o pouco que tínhamos nos espoliam de toda a esperança no futuro. Chocante é, sobretudo, a destruição de todas as marcas de solidariedade e justiça social.
Se chamamos “democracia” a um sistema de saúde que trata as pessoas como objectos, que distribui reformas de miséria, que impede o acesso das pessoas à justiça, que nos oprime a todos com cargas fiscais insuportáveis, que nos retira, a cada dia, não só a dignidade de um salário justo como os mais básicos direitos de cidadania, como posso chamar a isso, em consciência, democracia?
Sei que os nossos governantes não sabem como resolver a crise. Compreendo que seja difícil encontrar soluções. O que não posso aceitar é a mentira, cada vez mais descarada, com que nos vão iludindo, todos os dias, para manterem a nossa confiança e destruírem a nossa integridade.
Se a sociedade a que pertencemos nos é indiferente; se consideramos que é inútil todo o esforço, todo o sacrifício, todo o trabalho por uma causa comum (porque todas as causas nobres, todos os projectos de solidariedade humana estão perdidos); não é possível que estejamos a viver em democracia.
Este estado de coisas, e de alma, é um grande equívoco que ninguém deseja porque nos incomoda no mais profundo das nossas consciências. É tremenda, esmagadora a nossa impotência diante desse abismo que nos engole. Creio que choramos lágrimas de sangue sempre que proferimos a palavra “democracia”.
Não sei se o pesadelo passará tão cedo. Sei apenas que não posso mentir aos meus filhos sobre a realidade de opressão em que vivemos. Tenho ainda o sonho, ou a esperança, de que, ao lembrar-lhes a história dos mártires e heróis do progresso humano, de todos os que derem a vida por um futuro de verdade, justiça e paz, talvez permaneça viva uma pequena réstia de luz iluminando os nossos passos.
Se chamamos “democracia” a um sistema de saúde que trata as pessoas como objectos, que distribui reformas de miséria, que impede o acesso das pessoas à justiça, que nos oprime a todos com cargas fiscais insuportáveis, que nos retira, a cada dia, não só a dignidade de um salário justo como os mais básicos direitos de cidadania, como posso chamar a isso, em consciência, democracia?
Sei que os nossos governantes não sabem como resolver a crise. Compreendo que seja difícil encontrar soluções. O que não posso aceitar é a mentira, cada vez mais descarada, com que nos vão iludindo, todos os dias, para manterem a nossa confiança e destruírem a nossa integridade.
Se a sociedade a que pertencemos nos é indiferente; se consideramos que é inútil todo o esforço, todo o sacrifício, todo o trabalho por uma causa comum (porque todas as causas nobres, todos os projectos de solidariedade humana estão perdidos); não é possível que estejamos a viver em democracia.
Este estado de coisas, e de alma, é um grande equívoco que ninguém deseja porque nos incomoda no mais profundo das nossas consciências. É tremenda, esmagadora a nossa impotência diante desse abismo que nos engole. Creio que choramos lágrimas de sangue sempre que proferimos a palavra “democracia”.
Não sei se o pesadelo passará tão cedo. Sei apenas que não posso mentir aos meus filhos sobre a realidade de opressão em que vivemos. Tenho ainda o sonho, ou a esperança, de que, ao lembrar-lhes a história dos mártires e heróis do progresso humano, de todos os que derem a vida por um futuro de verdade, justiça e paz, talvez permaneça viva uma pequena réstia de luz iluminando os nossos passos.
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